segunda-feira, 29 de maio de 2017

A EXPLORAÇÃO SATÂNICA DA SOBERANIA DE DEUS - Vincent Cheung




Quando alguns cristãos de certas tradições são confrontados com uma promessa inegável de Deus sobre algo agradável, como a cura, ou resposta à oração, ou dons do Espírito, eles dizem: “Sim, mas lembre-se, Deus é soberano”. Todas as promessas de Deus são sem sentido para eles, porque embora a palavra de Deus diga uma coisa, Deus sempre pode fazer algo diferente, até mesmo algo diretamente oposto.

No entanto, essas pessoas nunca aplicam isso à promessa da salvação. Eles não dizem: “Sim, Deus prometeu salvar todos aqueles que têm fé em Cristo, mas agora lembre-se, Deus é soberano. Então alguém pode ter plena fé em Cristo, e mais fé do que Paulo, Pedro e João juntos, e ainda queimar no inferno”. Eles nunca dizem isso. Eles condenariam tal coisa como “hiper” isso ou “hiper” aquilo. Mas eles são hiper-hipócritas.

Em seguida, essas pessoas nunca aplicam isso à promessa do Julgamento. Eles nunca dizem: “Sim, Deus prometeu que julgaria todos aqueles que rejeitam o evangelho, mas agora lembre-se, Deus é soberano. Então, alguém pode definitivamente e repetidamente rejeitar Jesus Cristo, e ainda ser exaltado ao lugar mais alto no céu. Na verdade, ele poderia até mesmo substituir Jesus Cristo, porque você sabe, Deus é soberano”.

Não, eles diriam que se Deus prometeu salvar todos aqueles que têm fé em Cristo, então todos aqueles que têm fé em Cristo serão salvos. Diriam que se Deus prometeu condenar todos aqueles que não têm fé em Cristo, então certamente Deus irá condenar-los exatamente como disse. Mas quando se trata de algo agradável, diferente de salvação, de repente: “Deus é soberano”, e nunca sabemos o que vai acontecer independentemente do que ele prometeu e independentemente da fé que temos.

Eles exploram a doutrina da soberania divina a fim de neutralizar as promessas bíblicas que expõem a sua falta de fé, a sua falta de inteligência, e a sua condição espiritual medíocre. Mas, uma vez que eles fazem isso, também não podem impedir que o mesmo seja feito à tudo na palavra de Deus, incluindo às promessas que eles desejam manter, às ameaças que pretendem impor, e às doutrinas que pretendem afirmar.

Se “Deus é soberano” pode acabar com algo de bom que Deus disse, então também pode acabar com algo ruim que Deus disse. Pode acabar com tudo o que Deus disse. Devemos crer em Cristo? Que bom! Mas Deus é soberano. Há um inferno para punir os pecadores? Ótimo! Mas Deus é soberano. O aborto é errado? ESTÁ BEM! Mas Deus é soberano. Tudo será decidido num caso-a-caso, e já não poderemos contar a ninguém o que é verdadeiro ou falso, certo ou errado. Porque Deus é soberano.

Todas as controvérsias doutrinárias tornariam-se sem sentido. Por que discutir sobre o batismo nas águas, quando “Deus é soberano”? Então você acredita no batismo infantil? Que bom para você... mas John Smith está isento, porque Deus é soberano. Você não acredita no batismo infantil? Mary Jane vai fazer isso de qualquer jeito, porque Deus é soberano. Você acredita que um pinguim fêmea homossexual não pode ser um ancião da igreja? Nós não nos importamos, porque Deus é soberano. Esse pinguim será “legalmente ordenado” e servirá os seus biscoitos mágicos no próximo domingo.

Não existe nenhum outro tipo de teologia mais satânica do que essa.



Extraído de:
CHEUNG, Vincent. Backstage. 2016, p.40-41.


Traduzido por: Dione Cândido Jr.

domingo, 28 de maio de 2017

O TRIBUNAL SUPREMO DE ISRAEL, (PARTE 1) - Gary North

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“Se alguma causa te for difícil demais em juízo, entre sangue e sangue, entre demanda e demanda, entre ferida e ferida, tornando-se motivo de controvérsia nas tuas portas, então te levantarás e subirás ao lugar que o Senhor teu Deus escolher; virás aos levitas sacerdotes, e ao juiz que houver nesses dias, e inquirirás; e eles te anunciarão a sentença do juízo. Depois cumprirás fielmente a sentença que te anunciarem no lugar que o Senhor escolher; e terás cuidado de fazer conforme tudo o que te ensinarem. Conforme o teor da lei que te ensinarem, e conforme o juízo que pronunciarem, farás da palavra que te disserem não te desviarás, nem para a direita nem para a esquerda. O homem que se houver soberbamente, não dando ouvidos ao sacerdote, que está ali para servir ao Senhor teu Deus, nem ao juiz, esse homem morrerá; assumirá de Israel o mal. E todo o povo, ouvindo isso, temerá e nunca mais se ensoberbecerá.” (Deuteronômio 17.8-13).

O foco teocêntrico desta lei é o ofício de Deus como juiz. Deus é o juiz final [1]. Tal como no caso do capítulo anterior, este parece estar mais relacionado com as sanções: o ponto quatro [2]. Como veremos, porém, a passagem trata de uma questão judicial específica: a jurisdição. Esta é a questão das fronteiras: ponto três [3][4].

Igreja e Estado

A resolução de disputas entre homens deve refletir a solução final das disputas entre Deus e o homem. Na corte de Deus, haverá um pagamento final. Todos os casos serão levados a uma conclusão. Haverá uma reconciliação ou separação permanente entre o juiz e o julgado.
O cargo de sacerdote - aquele que oferece sacrifícios como representante do homem - terminou em 70 d.c.[5]. A questão é: o ministro eclesiástico substituiu o sacerdote? A Igreja ainda possui autoridade para fornecer representantes que proferem sentenças civis? Esta é a questão crucial da aliança que este capítulo deve responder. Se a resposta for sim, então a separação judicial absoluta da Igreja e do Estado é um mito do Iluminismo.
A autoridade de Deus no trono do julgamento é singular no sentido do seu Ser unificado. “Ouve, ó Israel; o Senhor nosso Deus é o único Senhor.” (Deuteronômio 6.4). No entanto, esta autoridade também é plural: “vamos” (Gênesis 1.26; 11.7). A corte de Deus reflete o Ser de Deus: um e muitos. Um tribunal humano não é a Corte Celestial de Deus, mas deve refletir a um e a muitos da Corte Celestial de Deus. A igualdade de um e de muitos não pode ser alcançada através da ontologia: ser unificado. Por conseguinte, deve ser alcançado subordinadamente, ou seja, representativamente. É por isso que, no Supremo Tribunal de Israel, tanto a Igreja como o estado estavam representados. A voz da autoridade civil de Israel ao mais alto nível não era legítima se fosse restrita a magistrados civis.

Uma Questão de Jurisdição

Nenhuma ordem social pode sobreviver sem sanções civis. Sob a aliança civil bíblica, essas sanções são exclusivamente negativas. O estado não é um fornecedor de sanções positivas, excepto na sua qualidade de juiz daqueles que cometeram crimes cuja sanção adequada é a restituição. O estado então transfere a riqueza do criminoso para a vítima. Mas o estado não é a fonte das sanções positivas infligidas à vítima; É apenas o árbitro. Ele obriga o quebrantador a devolver à vítima o que legalmente pertence à vítima, incluindo a indenização por danos e o risco estatístico que ele levou pelo tempo de não se descobrir quem cometeu o crime[6]. Normalmente, isso requer uma dupla restituição (Êxodo 22.4) . Em suma, o estado é o executor legal. Possui um monopólio da violência[7], feito por Deus, para fazer valer a justiça (Romanos 13.1-8)[8].
Em Deuteronômio 17.8-13, Moisés apresentou uma aplicação da jurisprudência do princípio geral da hierarquia do julgamento pactual. Em Êxodo 18, ele estabeleceu um sistema de tribunais de apelações[9]. Aqui ele fez uma aplicação da lei geral de recursos. Dois homens entraram em um tribunal local. Eles são iguais em influência. Isso torna o caso muito difícil para um tribunal local julgar.

“Se alguma causa te for difícil demais em juizo, entre sangue e sangue, entre demanda e demanda, entre ferida e ferida, tornando-se motivo de controvérsia nas tuas portas, então te levantarás e subirás ao lugar que o Senhor teu Deus escolher…” (Deuteronômio 17.8).

O caso deveria ser transferido para um tribunal superior em que os juízes não faziam parte da comunidade local. Na lei moderna, isso é chamado de mudança de local. A lei mosaica reconheceu que em casos difíceis entre pessoas proeminentes, cada um com seus próprios partidários, cada um com um caso forte, os juízes locais podem não ser qualificados para processar julgamento. Os casos são muito difíceis. Esta é a linguagem de Êxodo 18:

“Estes, pois, julgaram o povo em todo o tempo; as causas graves eles as trouxeram a Moisés; mas toda causa pequena, julgaram-na eles mesmos.” (Êxodo 18.26).

A solução mandatada foi reunir um grupo de juízes, civil e eclesiástico, para considerar o caso. Não há dúvida de que Moisés estava aqui descrevendo uma disputa civil. A sanção obrigatória para a desobediência ao Supremo Tribunal erra a execução. A igreja em Israel não possuía o poder da espada, exceto na defesa contra invasores dos limites ao redor do tabernáculo (Números 18.3-22). Todo o Deuteronômio 17 trata do direito civil, mas os juízes eclesiásticos desempenharam um papel no processo legal.
A decisão deste tribunal erra definitiva. Tinha que ser obedecida. No entanto, não há indícios de casos onde tenha sido uma questão de sanção capital antes do julgamento final do tribunal. Mas uma vez que este tribunal houvesse declarado o fim do julgamento, ambas as partes teriam que obedecer. A pessoa declarada culpada devia seguir a diretiva do tribunal. Se não fosse executada, significaria que esta não era uma infração de pena capital. Mas reincidência – presunção e resistência ao Supremo Tribunal – era uma ofensa capital.
Isto indica que a palavra do Supremo Tribunal foi judicialmente representante da palavra de Deus. Sua palavra era final na história. Mas esta palavra não era exclusivamente civil ou eclesiástica. Era ambos. O juiz, como representante do pacto civil, declarava seu julgamento apenas em associação com os sacerdotes. Tinha que haver uma declaração unida. Isso impediu o estado de se tornar judicialmente autônomo. Da mesma forma com a igreja: os sacerdotes não tinham nenhuma maneira legal de impor seu julgamento fisicamente sem a cooperação do magistrado civil. A autonomia não era uma opção legítima ao mais alto nível judiciário.
Esta declaração conjunta de julgamento era análoga a uma declaração conjunta de guerra. As duas trombetas de prata tinham que ser sopradas pelos sacerdotes de Arão antes que os príncipes pudessem liderar a nação em batalha. Uma trombeta foi soprada inicialmente para reunir os príncipes. A decisão dos príncipes de entrar em batalha era ratificada quando fossem ambas trombetas sopradas pelos sacerdotes (Números 10.1-9)[10]. A Igreja e o estado tiveram que concordar com a guerra.
Qualquer parte na disputa civil que se rebelou contra os termos da declaração conjunta enfrentou a morte. O que tinha sido uma questão a ser resolvida pela restituição econômica passou agora para um novo nível de criminalidade. Passou da restituição através do dinheiro para a restituição através da execução. A parte resistida deve ser entregue ao tribunal celestial de Deus para condenação final. Alguns atos exigem que o criminoso condenado seja transferido para a corte de Deus. Um desses atos foi a resistência a uma determinação final pelo Supremo Tribunal de Israel.
O custo da aplicação da lei neste caso foi suportado pelo governo civil. O governo civil tinha um meio econômico de reduzir a resistência a suas decisões oficiais: a ameaça de execução. A parte que resistia tinha um incentivo considerável para calcular o custo de sua não-conformidade. Este custo era muito alto: a sua remoção permanente da jurisdição de qualquer tribunal do homem.
A declaração formal da suprema corte moveu a disputa da palavra do homem para a palavra de Deus. A pessoa que resistiu chegar em acordo com seu oponente antes da declaração do Supremo Tribunal poderia dizer a si mesmo: “Eu não vou cumprir. Eu não tenho que cumprir”. Mas a palavra que ele não tinha que cumprir era a palavra de outro indivíduo. Não havia ainda uma declaração de aliança. Mas depois que o tribunal fez seu julgamento final, a ameaça da mais permanente sanção civil foi inserida na análise de custo-benefício do ator. Ele não estava mais enfrentando a palavra do homem; Ele estava diante de Deus. Por isso, ele não estava mais enfrentando as sanções de um indivíduo, como a recusa da outra parte em negociar com ele no futuro. A sanção negativa passou da economia para a própria vida.

Aumento da Previsibilidade

Ao passo que esta sanção era constantemente imposta dentro dos limites de Israel, os israelitas teriam descoberto que as suas vidas tinham-se tornado mais previsíveis. A lei teria sido levada a sério por todos. Uma execução ou duas a cada poucos anos teria enviado uma mensagem muito clara a todos os israelenses quanto aos custos da resistência à lei. Esta era a intenção desta lei:

“E todo o povo, ouvindo isso, temerá e nunca mais se ensoberbecerá.”
(Deuteronômio 17.13).

Quando um grande número de pessoas temem a lei civil, suas ações tornam-se mais previsíveis sempre que os tribunais são previsíveis. A lei torna-se mais previsível quando os tribunais se tornam mais previsíveis. Um aumento na previsibilidade da lei reduz os custos de tomada de decisão. As pessoas sabem geralmente o que a lei exige. Elas também sabem que os juízes vão impor as sanções específicas anexadas à lei. O último elemento remanescente da incerteza é a reação do culpado. Será que ele vai cumprir com a declaração do tribunal? Esta jurisprudência deixou claro: Deus esperava que a parte culpada cumprisse. Deus esperava que o estado fizesse com que o culpado cumprisse a sua parte. A pessoa que  recusava-se a cumprir com a declaração do tribunal não teria outra oportunidade de infringir qualquer lei.
A solução de Israel para a resolução de litígios privados foi muito diferente da solução de Atenas. Em litígios privados, o tribunal ateniense não executava seus julgamentos, a menos que houvesse uma questão de interesse do estado envolvida. A causa era entregue a parte vitoriosa para a execução[11]. A justiça estava disponível, mas apenas para famílias fortes o suficiente para impor a decisão do tribunal.

Custos de Produção

Com maior previsibilidade legal, a sociedade reduz seus custos de produção. Quando os homens sabem o que a lei exige, e quando sabem que os criminosos condenados na sociedade têm um grande incentivo para cumprir as sanções impostas, eles podem mais facilmente prever as ações dos outros.  Isso aumenta a previsibilidade de outros tomadores de decisão na sociedade. Isso, por sua vez, diminui o custo da cooperação. Uma das leis mais familiares da economia é esta: quando o custo de produção de algo é reduzido, mais desse algo será fornecido. Os produtores vêem uma oportunidade de lucrar: ao aumentar a produção, podem tirar proveito da diferença recém descoberta entre os custos de produção e os preços ao consumidor. Ao reduzir o custo de prever as ações de outras pessoas, esta lei, incluindo sua sanção de capital especificada, teria tendido a aumentar a produção do trabalho na sociedade israelita.  Isso teria aumentado a riqueza daqueles que vivem sob a jurisdição da lei Mosaica. Ao reduzir a probabilidade de que outros se recusassem a cumprir a lei, esta lei aumentou a probabilidade dos homens honrarem suas promessas. Isso também teria aumentado o valor dos contratos. Um contrato é um acordo que aumenta a previsibilidade das ações de outras pessoas no futuro. Quanto maior o valor esperado de um contrato, mais as pessoas que vão procurar terceiros para lidar com eles.
Isso leva a um princípio muito importante da economia cristã: a lei pactual previsível e as sanções da aliança sustenta o desenvolvimento humanamente não planejado de uma sociedade contratual. A base da aliança do direito contratual manifesta-se nesta jurisprudência. A ameaça de execução por não-conformidade com a interpretação do estado sobre o que um contrato exige aumentará a probabilidade de que os homens cuidem na elaboração de seus contratos e no cumprimento de seus termos.
Não há nada na Nova Aliança que anule este princípio da autoridade do tribunal civil. Não há um princípio da Nova Aliança que autorize sanções civis reduzidas por descumprimento da decisão do Supremo Tribunal. Não há nada que mude uma sanção específica. Na verdade, a severidade da sanção é o que demonstra a autoridade suprema do tribunal. Reduzir a sanção é minar a autoridade da corte suprema. Qualquer argumento por parte dos não-teonomistas de que a Nova Aliança não tem nada a dizer sobre essas questões é implicitamente um enfraquecimento da autoridade civil e, portanto, um subsídio aos criminosos. Em todo caso, se a Nova Aliança realmente não tem nada a dizer sobre tais questões judiciais, então o teólogo não teonomista coerente deve se desculpar pela discussão. Ele não tem nada a dizer, pois a Nova Aliança, supostamente, não tem nada a dizer. De um modo geral, os cristãos do Ocidente se desculparam voluntariamente de tais discussões desde 1700, razão pela qual a teoria social, o direito penal e a política se tornaram campos de batalha entre os humanistas do Iluminismo de esquerda e os humanistas do Iluminismo de direita.
Por que esse silêncio dos cristãos? Talvez porque tenham reconhecido a natureza teocrática subjacente desta lei e de toda a lei civil. Esta lei mosaica tinha uma qualificação importante: O Supremo Tribunal de Israel não era inteiramente civil nem totalmente eclesiástico. A autoridade do Supremo Tribunal para impor a sua palavra foi legítima apenas porque esta decisão dos juízes civis veio apenas após a consulta com, e o apoio de, os sacerdotes.

Os Sacerdotes Levitas

A frase no versículo 9, “aos levitas sacerdotes”, aparece pela primeira vez na Bíblia neste versículo. Se quisermos entender o alcance desta lei, devemos entender o significado dessa frase. Em Deuteronômio 18, temos uma visão mais clara de quem eram estes levitas. Eram os levitas que serviam como sacerdotes do templo do tabernáculo. Eles tinham de residir na cidade onde o tabernáculo estava localizado. Eles não eram levitas que viviam em comunidades locais. Os sacerdotes de ofício nos sacrifícios.

“Os levitas sacerdotes, e toda a tribo de Levi, não terão parte nem herança com Israel. Comerão das ofertas queimadas do Senhor e da herança dele. Não terão herança no meio de seus irmãos; o Senhor é a sua herança, como lhes tem dito. Este, pois, será o direito dos sacerdotes, a receber do povo, dos que oferecerem sacrifícios de boi ou de ovelha: o ofertante dará ao sacerdote a espádua, as queixadas e o bucho. Ao sacerdote darás as primícias do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e as primícias da tosquia das tuas ovelhas. Porque o Senhor teu Deus o escolheu dentre todas as tribos, para assistir e ministrar em nome do Senhor, ele e seus filhos, para sempre. Se um levita, saindo de alguma das tuas cidades de todo o Israel em que ele estiver habitando, vier com todo o desejo da sua alma ao lugar que o Senhor escolher, e ministrar em nome do Senhor seu Deus, como o fazem todos os seus irmãos, os levitas, que assistem ali perante o Senhor, comerá porção igual à deles, fora a das vendas do seu patrimônio.” (Deuteronômio 18.1-8).

Isto significa que estes sacerdotes realizavam cargos sacramentais. Eles foram ordenados para um cargo ministerial especial, que os obrigou a estar presentes no altar. Em alguns casos, eles realmente venderam seus bens imobiliários em suas cidades de origem: “comerá porção igual à deles, fora a das vendas do seu patrimônio.” (Deuteronômio 18.8).
A presença de sacerdotes no supremo tribunal cível da nação deu poder de veto à igreja. A função suprema representativa do Supremo Tribunal não poderia legalmente ser exclusivamente civil. O juramento civil não autorizava a autoridade judicial exclusiva ao mais alto nível, isto é, o tribunal de apelação final. Esse equilíbrio de autoridade serviu de controle sobre o estado. Os agentes do estado não podiam declarar unilateralmente a lei de Deus nos casos mais difíceis que dividiam os homens.


NOTAS:
[1]  A última sanção negativa é a morte eterna (Apocalipse 20.14-15).

[2] RayR. Sutton, That You May Prosper: Dominion By Covenant, 2nd ed. (Tyler, Texas: Institute for Christian Economics, 1992), ch. 4.

[3] Gary North, Boundaries and Dominion: The Economics of Leviticus, electronic edition (Tyler, Texas: Institute for Christian Economics, 1994).

[4] Nota do Tradutor.: Gary North classifica a aliança bíblica, principalmente o pentateuco, em cinco pontos são eles:  (1) Deus transcendente / presente, (2) hierarquia / representação, (3) ética / reino, (4) juramento / sanções, (5) sucessão.

[5]  Isso, é claro, é uma interpretação protestante do ofício.

[6] Gary North, Tools of Dominion: The Case Laws of Exodus (Tyler, Texas: Institute for Christian Economics, 1990), pp. 511–19.

[7] Nota do Tradutor.: Em nenhuma hipótese o autor defende o monopólio da violência tendo como base as teorias humanistas, sejam elas de esquerda ou de direita. Enquadrar o autor no libertarianismo, também é um reducionismo, o autor apropriadamente se auto intitula como sendo “teonomista”. Para maior conhecimento sobre a posição do autor quanto o assunto ler seu livro “An Introduction to Christian Economics”. Disponível gratuitamente em seu site https://www.garynorth.com.

[8] Gary North, Cooperation and Dominion: An Economic Commentary on Romans, 2nd electronic edition (Harrisonburg, Virginia: Dominion Educational Ministries, Inc., [2001] 2003), ch. 11.

[9] Gary North, Moses and Pharaoh: Dominion Religion vs. Power Religion (Tyler, Texas: Institute for Christian Economics, 1985), ch. 19.

[10] Gary North, Sanctions and Dominion: An Economic Commentary on Numbers (Tyler, Texas: Institute for Christian Economics, 1996), p. 29.

[11] G. Glotz, The Greek City and its Institutions (New York: Barnes & Noble, [1929] 1969), p. 249.

Esse texto foi retirado e traduzido, com pequenas adaptações, do livro Inheritance and Dominion: An Economic Commentary on Deuteronomy Volume 2. Consiste de um capítulo inteiro, que nesta tradução foi dividido em duas partes.

Tradução: Chico Neto


sábado, 27 de maio de 2017

Os Objetos do Batismo - Louis Berkhof

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1. O BATISMO DE ADULTOS. No caso dos adultos, o batismo tem que ser precedido por uma profissão de fé, Mc 16.16; At 2.41; 8.37 (ausente de alguns MSS); 16.31-33. Daí insistir a igreja em tal profissão antes de batizar adultos. E quando essa profissão é feita, esta é aceita pelo que ela vale nominalmente, a não ser que tenha boas razões objetivas para duvidar da sua veracidade. Não lhe compete espiar os segredos do coração e assim inspecionar a genuinidade de tal profissão. A responsabilidade pesa sobre a pessoa que a faz. O método de investigar a condição interna do coração com o fim de determinar a genuinidade da profissão de fé que a pessoa faz é labadista* e não está em harmonia com a prática das igrejas reformadas. Desde que o batismo não é apenas um sinal e selo, mas também um meio de graça, levanta-se a questão quanto à natureza da graça produzida por ele. Esta questão é levantada aqui unicamente com relação ao batismo de adultos.Em vista do fato de que, segundo a nossa concepção reformada (calvinista), este batismo pressupõe a regeneração, a fé, a conversão e a justificação, não se pode conceber que estas são produzidas por ele. Neste aspecto divergimos da Igreja de Roma. Mesmo os luteranos, que atribuem ao batismo como meio de graça um poder maior do que o que os reformados lhe atribuem, concordam com estes sobre este ponto. Tampouco o batismo produz uma graça sacramental especial que consista nisto, que o participante é implantado no corpo de Jesus Cristo. A incorporação do crente numa união mística com Cristo também é pressuposta. A Palavra e o sacramento produzem exatamente a mesma espécie de graça, exceto que a Palavra, em distinção do sacramento, também serve de instrumento para a originação da fé. O sacramento do batismo fortalece a fé e, porque a fé desempenha um importante papel em todas as outras operações da graça divina, estas também são grandemente beneficiadas por ele. O batismo representa primordialmente um ato da graça de Deus, mas, visto que o cristão professante deve submeter-se voluntariamente a ele, este também pode ser considerado do lado do homem. Há nele um oferecimento e um dom de Deus, mas também uma aceitação por parte do homem. Conseqüentemente, o batismo significa também que o homem aceita a aliança e assume as obrigações próprias dela. É um selo, não meramente de uma aliança oferecida, mas de uma aliança oferecida e aceita, isto é, decidida.
2. O BATISMO DE CRIANÇAS. É sobre a questão do batismo de crianças que se acha a mais importante divergência entre nós e os batistas. Estes afirmam, como o Dr. Hovey, escritor batista o expressa, “que somente os crentes em Cristo têm direito ao batismo, e somente os que dão uma confiável prova da fé nele devem ser batizados”. Quer dizer que as crianças são excluídas do sacramento. Contudo, em todas as demais denominações** elas o recebem. Vários pontos requerem consideração em conexão com este assunto.
a. Base bíblica do batismo de crianças. Pode-se dizer de início que não há nenhuma ordem explícita na Bíblia para batizar crianças, e que não há um único exemplo no qual se nos diga claramente que crianças foram batizadas. Mas isto não torna necessariamente antibíblico o batismo. O fundamento escriturístico do batismo de crianças acha-se nos seguintes dados:(1) A aliança feita com Abrão era primariamente uma aliança espiritual, embora também tivesse um aspecto nacional, e desta aliança espiritual a circuncisão era um sinal e selo. É um procedimento infundado dos batistas partir esta aliança em duas ou três alianças diferentes. A Bíblia se refere à aliança com Abraão diversas vezes, mas sempre no singular, Ex 2.24; Lv 26.42; 2 Rs 13.23; 1 Cr 16.16; Sl 105.9. Não há sequer uma única exceção a esta regra. A natureza espiritual desta aliança é comprovada pela maneira segundo a qual suas promessas são interpretadas no Novo Testamento, Rm 4.16-18; 2 Co 6.16-18; Gl 3.8, 9, 14, 16; Hb 8.10; 11.9, 10, 13. decorre também do fato de que evidentemente a circuncisão era um rito que tinha significação espiritual, Dt 10.16; 30.6; Jr. 4.4; 9,25, 26; At 15.1; Rm 2.26-29; 4.11; Fp 3.2, e do fato de que a promessa da aliança é até denominada “o evangelho”, Gl 3.8.(2) Esta aliança ainda está em vigência, e é essencialmente idêntica à “nova aliança” da presente dispensação. A unidade e continuidade da aliança em ambas as dispensações segue-se do fato de que o Mediador é o mesmo, At 4.12; 10.43; 15.10, 11; Gl 3.16; 1 Tm 2.5, 6; 1 Pe 1.9-12, a condição é a mesma, a saber, a fé, Gn 15.6 (Rm 4.3); Sl 32.10; Hb 2.4; At 10.43; Hb 11, e as bênçãos são as mesmas, quais sejam, a justificação, Sl 32.1, 2, 5; Is 1.18; Rm 4.9; Gl 3.6, a regeneração, Dt 30.6; Sl 51.10, dons espirituais, Jl 2.28, 32; At 2.17-21; Is 40.31, e a vida eterna, Ex 3.6; Hb 4.9; 11.10. Aos que foram levados à convicção no dia de Pentecostes Pedro deu a certeza de que a promessa era para ele e para os seus filhos, At 2.39. Paulo argumenta em Rm 4.13-18 e Gl 3.13-18 que a dádiva da lei não anulou a promessa, de sorte que ela ainda permanece na nova dispensação. E o escritor de Hebreus assinala que a promessa a Abraão foi confirmada com juramento, de modo que os crentes neotestamentários podem haurir consolo da sua imutabilidade, Hb 6.13-18.(3) Pela determinação de Deus, as crianças participavam dos benefícios da aliança, e, portanto, recebiam a circuncisão como sinal e selo. Segundo a Bíblia, a aliança é, evidentemente, um conceito orgânico, e sua realização segue linhas orgânicas e históricas. Há um povo ou nação de Deus, um conjunto orgânico tal que só pode constituir-se de famílias. Naturalmente, esta idéia de nação é muito proeminente no Velho Testamento, mas o notável é que ela não desapareceu depois da nação de Israel ter servido ao seu propósito. Ela foi espiritualizada e, assim, passou para o Novo Testamento, de modo que o povo de Deus, no Novo Testamento, também é apresentado como nação, Mt 21.43; Rm 9.25, 26 (comp. Oséias 2.23); 2 Co 6.16; Tt 2.14; 1 Pe 2.9. Durante a antiga dispensação, as crianças eram consideradas parte integrante de Israel como o povo de Deus. Estavam presentes quando era renovada a aliança, Dt 29.10-13; Js 8.35; 2 Cr 20.13, tinham um lugar na congregação de Israel e, portanto, estavam presentes em suas assembléias religiosas, 2 Cr 20.13; Jl 2.16. Em vista de promessas ricas como as de Is 54.13; Jr 31.34; Jl 2.28, dificilmente esperaríamos que os privilégios de tais crianças fossem reduzidos na nova dispensação, e, certamente, não procuraríamos sua exclusão de todo e qualquer lugar na igreja. Jesus e os apóstolos não as excluíram, Mt 19.14; At 2.39; 1 Co 7.14. A referida exclusão por certo exigiria uma declaração muito explícita a respeito.(4) Na nova dispensação o batismo, pela autoridade divina, substitui a circuncisão como o sinal e selo iniciatório da aliança da graça. A Escritura insiste vigorosamente em que a circuncisão não pode mais servir como tal, At 15.1, 2; 21.21; Gl 2.3-5; 5.2-6; 6.12, 13, 15. Se o batismo não lhe tomou o lugar, o Novo Testamento não tem nenhum rito iniciatório. Mas Cristo o estabeleceu como tal substituto, Mt 28.19, 20; Mc 16.15, 16. Seu sentido espiritual corresponde ao da circuncisão. Como a circuncisão se referia à eliminação do pecado e à mudança do coração, Dt 10.16; 30.6; Jr 4.4; 9.25, 26; Ez 44.7, 9, assim o batismo se refere ao lavamento purificador do pecado., At 2.38; 1 Pe 3.21; Tt 3.5, e à renovação espiritual, Rm 6.4; Cl 2.11, 12. esta última passagem claramente liga a circuncisão ao batismo e, ensina que a circuncisão de Cristo, isto é, a circuncisão do coração, simbolizada pela circuncisão da carne, é realizada pelo batismo, isto é, por aquilo que o batismo simboliza. Cf. também Gl 3.27, 29. Mas, se as crianças recebiam o sinal e selo da aliança na antiga dispensação, a pressuposição é que certamente elas têm direito de recebê-lo na nova, a qual os fiéis do Velho Testamento eram ensinados a aguardar como sendo uma dispensação muito mais completa e muito mais rica. Sua exclusão dela requereria uma declaração clara e inequívoca com esse fim, mas exatamente o oposto é que se vê, Mt 19.14; At 2.39; 1 Co 7.14.(5) Como acima foi assinalado, o Novo Testamento não contém nenhuma evidência direta em favor da prática do pedobatismo nos dias dos apóstolos. Lambert, após considerar e sopesar todas as evidências à mão, expressa a sua conclusão com as seguintes palavras: “Então, as evidências do Novo Testamento parecem apontar para a conclusão de que o batismo de crianças, para dizer o mínimo, não era costume geral na era apostólica” [1]. Mas não há necessidade de ninguém se surpreender com o fato de não haver menção direta do batismo de crianças, pois num período missionário como o da era apostólica, naturalmente a ênfase recairia sobre o batismo de adultos. Além disso, nem sempre as condições eram favoráveis ao batismo de crianças. Os conversos não teriam de imediato uma adequada concepção dos seus deveres e responsabilidades pactuais. Às vezes somente um dos pais se convertia e é perfeitamente concebível que o outro se opusesse ao batismo dos filhos. Muitas vezes não havia razoável certeza de que os pais educariam os seus filhos piedosa e religiosamente, e, todavia, era necessária essa certeza. Ao mesmo tempo, a linguagem do Novo Testamento é perfeitamente coerente com uma continuação da administração orgânica da aliança, que exigia a circuncisão das crianças, Mt 19.14; Mc 10.13-16; At 2.39; 1 Co 7.14. Ademais, o Novo Testamento fala repetidamente do batismo de famílias, e não dá indicação de que isto seja considerado fora do comum, mas, antes, refere-se a esse fato como natural, At 16.15, 33; 1 Co 1.16. È, por certo, inteiramente possível, mas não muito provável, que nenhuma dessas famílias tivesse crianças. E se havia crianças, é moralmente certo que eram batizadas junto com seus pais. O certo é que o Novo Testamento não contém nenhuma prova de que pessoas nascidas e criadas em famílias cristãs não possam ser batizadas antes de chegarem à idade da discrição e de haverem professado sua fé em Cristo. Não há a mais ligeira alusão a alguma prática desse tipo.(6) Wall, na introdução da sua História do pedobatismo (History of Infant Baptism), mostra que no batismo de prosélitos os filhos dos prosélitos muitas vezes eram batizados junto com seus pais; mas Edersheim diz que havia uma diferença de opiniões sobre este ponto [2]. Naturalmente, mesmo que isso acontecesse, nada provaria quanto ao batismo cristão, mas mostraria que não havia nada de estranho nesse procedimento. A mais antiga referência histórica ao batismo de crianças acha-se nos escritos da segunda metade do segundo século. A obra Didaquê fala do batismo de adultos, mas mão do pedobatismo; e conquanto Justino faça menção de mulheres que eram discípulas de Cristo desde a infância (ek paidon), esta porção dos seus escritos não menciona o batismo, e a expressão ek paidon não significa necessariamente infância. Irineu, falando de Cristo, diz: “Ele veio salvar por meio de Si próprio todos os que, por meio dele, nascem de novo para Deus, crianças e criancinhas, e meninos, e jovens e idosos” [3]. Este trecho, embora não mencione explicitamente o batismo, é considerado como a mais antiga referência ao batismo de crianças, visto que os chamados “pais primitivos” associavam tão estritamente o batismo à regeneração, que empregavam o termo”regeneração” em lugar de “batismo”. Que o batismo de crianças era praticado mui geralmente, é evidenciado pelos escritos de Tertuliano, embora ele próprio considerasse mais proveitoso protelar o batismo [4]. Orígenes o descreve como uma tradição dos apóstolos. Diz ele: “Pois isto havia também que a igreja tinha dos apóstolos uma tradição (ou, ordem) de dar o batismo até mesmo às crianças” [5]. O Concílio de Cartago (253 A.D.) toma o batismo de crianças como certo e simplesmente discute a questão sobre se elas deveriam ser batizadas antes dos oito dias de idade. Do segundo século em diante, o batismo de crianças é reconhecido normalmente, embora às vezes negligenciado na prática. Agostinho inferiu do fato de que ele era praticado pela igreja no mundo inteiro, apesar de não instituído nos concílios, que, com toda a probabilidade, foi estabelecido pela autoridade dos apóstolos. Sua legitimidade não foi negada até aos dias da Reforma, quando os anabatistas se opuseram a ele.
b. Objeções ao batismo de crianças. Algumas das objeções mais importantes ao pedobatismo reclamam breve consideração.(1) A circuncisão era apenas uma ordenança carnal e típica, e, como tal, esta destinada a extinguir-se. Colocar o batismo no lugar da circuncisão é simplesmente dar continuidade à ordenança carnal. Ordenanças carnais que tais não têm lugar legítimo na igreja no Novo Testamento. Em nossos dias, esta objeção é levantada por alguns dispensacionalistas, como Bullinger e O’Hair, que alegam que o batismo instituído por Jesus está relacionado com o Reino, e que somente o batismo do Espírito tem um lugar próprio na igreja. O Livro de Atos marca a transição do batismo com água para o batismo com o Espírito. Naturalmente, este argumento provaria que todo batismo, o de adultos e o de crianças, é ilegítimo. Nesta apresentação do assunto, as dispensações judaica e cristã são postas em antagonismo uma contra a outra, como carnal e espiritual, dizendo-se que a circuncisão pertence à primeira delas. Mas este argumento é falaz. Não há base para por a circuncisão inteiramente ao nível das ordenanças carnais da lei mosaica. Diz Bannerman: “A circuncisão independia, quer da introdução que da abolição da lei de Moisés, e teria continuado de pé como ordenança para admissão na igreja de Deus como selo da aliança da graça, se o batismo não tivesse sido designado expressamente como seu substituto” [6]. Pode-se admitir que a circuncisão adquiriu certa significação típica no período mosaico, mas era primordialmente sinal e selo da aliança já feita com Abraão. Enquanto tipo, naturalmente cessou com o surgimento do antítipo, e mesmo como um selo da aliança, abriu alas para um sacramento incruento expressamente instituído por Cristo para a igreja e reconhecido como tal pelos apóstolos, visto que Cristo dera fim, uma vez por todas, ao derramamento de sangue referente à obra de redenção. À luz da Escritura, é inteiramente insustentável a posição segundo a qual o batismo se relaciona com o Reino, e não com a igreja, posição que, portanto, é judaica e não cristã. As próprias palavras da instituição condenam esse conceito, e o mesmo se dá com o fato de que, por ocasião do nascimento da igreja do Novo Testamento, Pedro exigiu dos que foram acrescentados a ela que fossem batizados. E se se disser que Pedro, sendo judeu, ainda seguia o exemplo de João Batista, pode-se assinalar que Paulo, o apóstolo dos gentios, também exigia que os seus conversos fossem batizados, At 1615, 33; 18.8; 1 Co 1.16.(2) Não há ordem explícita para que as crianças sejam batizadas. Isto é perfeitamente certo, mas não refuta a validade do batismo de crianças. Deve-se observar que esta objeção se baseia numa regra de interpretação que os próprios batistas não seguem fielmente quando afirmam que os cristãos têm o dever obrigatório de celebrar o primeiro dia da semana como o seu Sabbath, ou seja, como o seu dia semanal de santo repouso, e que as mulheres também podem participar da Santa Ceia; pois estas coisas não foram ordenadas explicitamente. Poderia o silêncio da Escritura ser interpretado em prol do batismo de crianças, e não contra? Durante vinte séculos as crianças tinham sido iniciadas formalmente na igreja, e o Novo Testamento não diz que isto agora deve cessar, ao passo que de fato ensina que a circuncisão não serve mais para aquela finalidade. O Senhor Jesus instituiu pessoalmente outro rito, e no dia de Pentecostes Pedro disse aos que se ajuntaram à igreja que a promessa era para eles e para os seus filhos, e a quantos mais o Senhor chamasse. Esta declaração de Pedro prova, no mínimo, que ele continua tendo em mente a concepção orgânica da aliança. Além disso, pode-se levantar a questão sobre como os batistas podem provar que a sua posição é correta citando uma ordem expressa da Escritura. A Bíblia ordena em algum lugar que as crianças sejam excluídas do batismo? Ordena ela que todos os que nascem e são criados em famílias cristãs professem sua fé antes de serem batizados? É mais que patente que não existem essas ordens na Bíblia.(3) Uma objeção estreitamente relacionada com a anterior é que não há exemplo de batismo de crianças no Novo Testamento. É certo que a Bíblia não diz explicitamente que foram batizadas crianças, embora nos informe que o rito foi ministrado a famílias inteiras. A ausência de referências definidas ao batismo de crianças tem explicação, ao menos em boa medida, no fato de que a Escritura nos dá um registro histórico da obra missionária dos apóstolos, e não da obra empreendida nas igrejas organizadas. Aí também o feitiço vira contra o feiticeiro, quanto aos batistas. Poderão mostrar eles algum exemplo de batismo de um adulto nascido e criado num lar cristão? Não há risco nenhum de que algum dia o façam.(4) A objeção mais importante ao pedobatismo levantada pelos batistas é que, de acordo com a Escritura, o batismo está condicionado a uma fé ativa, que se revela numa profissão digna de crédito. Ora, é bem certo que a Bíblia apresenta a fé como um requisito do batismo, Mc 16:16; At 10.44-48; 16.14, 15, 31, 34. Se isto significar que todo aquele que recebe o batismo deve, em todos os casos, apresentar manifestações de fé ativa antes do batismo, naturalmente as crianças estarão excluídas. Mas, embora a Bíblia indique claramente que somente os adultos que criam eram batizados, em parte nenhuma firma a regra de que uma fé ativa é absolutamente essencial para receber-se o batismo. Os batistas nos remetem à grande comissão, nos termos de Mc 16.15, 16. em vista do fato de que este é um mandado missionário, podemos partir da suposição de que o Senhor tinha em mente uma fé ativa, ao dizer aquelas palavras. E, apesar de não vir exposto explicitamente, é inteiramente provável que Ele considerasse esta fé como um requisito da ministração do batismo às pessoas em vista. Quem são estas, porém?Evidentemente, os adultos das nações que deviam ser evangelizadas, e, daí, os batistas não têm base para entendê-lo como argumento contra o pedobatismo. Se, não obstante, insistirem em fazê-lo, dever-se-á assinalar que, em sua interpretação, aquelas palavras provam demais em favor deles, e, portanto, nada provam. As palavras do nosso Salvador implicam que a fé é um requisito do batismo daqueles que, graças aos esforços missionários da igreja, seriam levados a Cristo, e não implicam que também é um requisito do batismo de crianças. Os batistas generalizam essa declaração do Salvador ensinando que ela torna todo batismo dependente da fé ativa do batizando. Seu argumento vai como segue: A fé ativa é o requisito do batismo. As crianças não podem exercer fé. Portanto, as crianças não devem ser batizadas. Mas, dessa maneira, essas palavras também podem ser elaboradas como argumento contra a salvação de crianças, visto que elas não somente implicam, mas afirmam explicitamente que a fé (fé ativa) é a condição para a salvação. Assim, o batista que for coerente ver-se-á sob o peso do seguinte silogismo: A fé é a conditio sine qua non (condição indispensável) da salvação. As crianças ainda não podem exercer fé. Logo, as crianças não podem ser salvas. Mas esta é uma conclusão da qual o próprio batista recua.***
c. Base do batismo de crianças.(1) Posição dos nossos padrões confessionais. A Confissão Belga declara no Art. XXXIV que os filhos pequenos de pais crentes “devem ser batizados e selados com o sinal da aliança, como anteriormente as crianças de Israel eram circuncidadas com base nas mesmas promessas feitas às nossas crianças”. O Catecismo de Heidelberg responde a pergunta, “As crianças também devem ser batizadas?”, como segue: “Sim, pois, desde que elas estão, como os adultos, incluídas na aliança e na igreja de Deus, e desde que tanto a redenção do pecado como o Espírito, o Autor da fé, lhes são prometidos não menos que aos adultos, mediante o sangue de Cristo, elas também devem, pelo batismo, como sinal da aliança, ser enxertadas na igreja cristã, e devem ser distinguidas dos filhos dos descrentes, como se fazia na antiga dispensação ou testamento pela circuncisão, em lugar da qual o batismo foi instituído na nova aliança” [7]. E os Cânones de Dort contêm a seguinte declaração em I, Art. 17: “Uma vez que devemos discernir a vontade de Deus em Sua Palavra, que atesta que os filhos dos crentes são santos, não por natureza, mas em virtude da aliança da graça, que os abrange juntamente com seus pais, os pais crentes não devem duvidar da eleição e salvação dos seus filhos, a quem praza a Deus chamar desta vida em sua infância (Gn 17.7; At 2.39; 1 Co 7.14)”. estas declarações dos nossos padrões confessionais estão em plena harmonia com a posição de Calvino, segundo a qual, os filhos pequenos de pais crentes, ou aqueles que têm somente um dos pais crentes, são batizados com base em sua relação pactual [8]. A nossa Forma para o Batismo de Crianças (Form for the Baptism of Infants) toca na mesma tecla: “Então, desde que o batismo tomou o lugar da circuncisão, as crianças devem ser batizadas como herdeiras do reino de Deus e da Sua aliança”. Observe-se que todas essas declarações se baseiam no mandamento de Deus que manda circuncidar os filhos da aliança, pois, em última análise, o mandamento é a base do batismo de crianças.****Com fundamento em nossos padrões confessionais, pode-se dizer que os filhos pequenos de pais crentes são batizados com base em que são filhos da aliança e, como tais, são herdeiros das amplíssimas promessas pactuais de Deus, que incluem também a promessa de perdão dos pecados e da dádiva do Espírito Santo para a regeneração e a santificação. Na aliança Deus lhes dá certa concessão ou dádiva de maneira formal e objetiva, exige deles que, no devido tempo, aceitem isto pela fé, e promete fazer disso uma vívida realidade nas vidas deles, pela operação do Espírito Santo. E, em vista deste fato, a igreja deve considerá-los como herdeiros prospectivos da salvação, deve considerá-los como estando na obrigação de andar nas veredas da aliança, tem o direito de esperar que, sob uma fiel administração pactual, eles, falando em termos gerais, vivam segundo a aliança, e é seu dever considerá-los como infratores da aliança, se não cumprirem as exigências desta. É unicamente deste modo que se faz plena justiça às promessas de Deus, que em toda a sua plenitude deverão ser assimiladas pela fé por aqueles que chegarem à maturidade. Assim, a aliança, incluindo as promessas pactuais, constitui a base legal e objetiva do batismo de crianças. O batismo é sinal e selo de tudo quanto as promessas abrangem.
(2) Diferenças de opinião entre os teólogos reformados (calvinistas). Nem todos os teólogos reformados concordavam no passado, e mesmo agora não são todos unânimes em sua apresentação da base do batismo de crianças. Muitos teólogos dos séculos dezesseis e dezessete assumiram a posição descrita no item anterior, a saber, que os filhos pequenos dos crentes são batizados porque estão na aliança e, nesta qualidade, são herdeiros das ricas promessas de Deus, que incluem o direito, não somente à regeneração, mas também a todas as bênçãos da justificação e das influências renovadoras e santificantes do Espírito Santo. Outros, porém, embora reconhecendo a veracidade dessa apresentação, não se satisfaziam inteiramente com ela. Acentuavam o fato de que o batismo é algo mais que sinal e selo de uma promessa, ou mesmo de todas as promessas da aliança, e que não é apenas o selo de um bem futuro, mas também de posses espirituais no presente. Prevaleceu o conceito de que o batismo é ministrado a crianças com base na regeneração presuntiva. Mas mesmo entre os que esposavam este conceito não havia pleno acordo. Alguns combinavam esta idéia com outra, enquanto outros substituíam aquela por esta. Alguns partiam do pressuposto de que todas as crianças apresentadas para o batismo são regeneradas, ao passo que outros só admitiam isto em conexão com as crianças eleitas. A diferença de opiniões entre os que criam que os filhos dos crentes são batizados com base em seu relacionamento pactual e na promessa da aliança, e os que viam esta base na regeneração presuntiva persistiu até os dias atuais e foi causa de vigorosa controvérsia, principalmente na Holanda, durante o último período do século dezenove e o princípio do século vinte.A princípio, o doutor Kuyper falava da regeneração presuntiva como a base do batismo de crianças, e muitos aceitaram prontamente essa idéia. G. Kramer escreve sua esplêndida tese sobre Het Verband van Doop em Wedergeboorte especialmente em defesa dessa posição. Posteriormente, o doutro Kuyper deixou de usar de vez essa expressão, e alguns dos seus seguidores sentiram necessidade de uma discriminação mais cuidadosa e falavam da relação pactual como base legal do batismo de crianças, e da regeneração presuntiva como sua base espiritual. Mas, até mesmo esta ainda não é uma posição satisfatória. O doutor Honig, que também é um discípulo e admirador de Kuyper, está na pista certa quando diz, em seu recente***** Manual de Dogmática Reformada (Handboek van de Gereformeerde Dogmatiek) [9]: “Não batizamos os filhos pequenos dos crentes baseados numa pressuposição, mas numa ordem e num ato de Deus. As crianças devem ser batizadas em virtude da aliança de Deus” (versão inglesa de Berkof, do original holandês). A regeneração presuntiva naturalmente não pode ser considerada como a base legal do pedobatismo; esta só pode ser encontrada na promessa pactual de Deus. Além disso, ela não pode ser considerada a base em nenhum sentido da palavra, desde que o batismo tem que ser algo objetivo, como os próprios defensores do conceito em foco e sentem constrangidos a admitir. Se lhes perguntam por que presumem a regeneração das crianças apresentadas para o batismo, eles só podem responder: “Porque elas nasceram de pais crentes, isto é, porque nasceram na aliança”. Naturalmente, negar que a regeneração presuntiva é a base do batismo de crianças não equivale a dizer que é inteiramente destituído de base presumir que as crianças nascidas de pais crentes são regeneradas. Esta é uma questão que deve ser considerada com base em seus próprios méritos.Talvez seja bom citar neste contexto a primeira metade do quarto ponto das Conclusões de Ultrecht, adotadas por nossa igreja em 1908. Traduzimo-la da seguinte maneira: “E finalmente, no que concerne ao quarto ponto, o da regeneração presuntiva, o Sínodo declara que, de acordo com a confissão das nossas igrejas, deve-se presumir que a semente da aliança, em virtude da promessa de Deus, é regenerada e santificada em Cristo, enquanto o contrário não aparecer em sua vida ou doutrina, quando crescer; que, todavia, é menos correto dizer que o batismo é ministrado aos filhos pequenos dos crentes com base em sua regeneração presuntiva, visto que a base do batismo é a ordem e a promessa de Deus; e que, ademais, o juízo de amor como qual a igreja presume que a semente da aliança é regenerada, de modo nenhum tenciona dizer que, portanto, cada criança é realmente regenerada, desde que a Palavra de Deus ensina que nem todos os de Israel são de fato israelitas, e de Isaque se diz: Nele será chamada a tua semente – ou descendência (Rm 9.6, 7), de modo que na pregação é sempre necessário insistir no sério exame próprio uma vez que somente os que crêem e são batizados serão salvos”. [10]
(3) Objeção à idéia de que as crianças são batizadas com base em sua relação pactual. Tem-se dito que, se as crianças são batizadas com base em que elas nascem na aliança e, portanto, são herdeiras da promessa, são batizadas com base diferente da dos adultos, visto que estes são batizados com base em sua fé ou em sua profissão de fé. Mas isto a rigor não é certo, como Calvino já o demonstrou em seus dias. O grande Reformador respondeu eficientemente a esta objeção. O que vem a seguir é tradução do que Kramer diz a respeito da posição de Calvino sobre este ponto: “Com relação ao batismo de crianças, Calvino vê ocasião aqui, agora que ele tomou a perspectiva da aliança, para traçar linha mais longa. Até este ponto, ele não chamou a atenção para o fato de que os adultos também são batizados de acordo com a regra da aliança. E, daí, poderia parecer que há uma diferença entre o batismo de adultos e o de crianças. Os adultos seriam batizados com base em sua fé, as crianças com base na aliança de Deus. Não, declara o Reformador, a única regra segundo a qual, e a única base legal sobre a qual a igreja pode ministrar o batismo, é a aliança. Isto é verdade, tanto no caso de crianças como no de adultos. Se estes devem primeiro fazer uma confissão de fé e passar pela conversão, é porque se acham fora da aliança. Para serem admitidos à comunhão da aliança, devem aprender primeiro quais as exigências da aliança, e, depois, a fé a conversão abrem caminho para a aliança.” [11] Exatamente a mesma opinião é expressa por Bavinck.. Quer dizer que, depois que os adultos adentram a aliança pela fé e conversão, recebem o sacramento do batismo com base nessa relação pactual. Também para eles o batismo é sinal e selo da aliança.
d. O batismo de crianças como meio de graça. O batismo é sinal e selo da aliança da graça. Não simboliza uma coisa e sela outra, mas põe o selo de Deus naquilo que simboliza. Segundo os nossos padrões confessionais e a nossa forma para a ministração do batismo, este simboliza o lavamento dos nossos pecados, e esta é apenas uma breve expressão usada em lugar da remoção da culpa do pecado na justificação, e da remoção da corrupção do pecado na santificação, que, contudo, é imperfeita nesta vida. E se o que é simbolizado é isto, então é também o que é selado. E se se disser, como às vezes ocorre em nossa literatura reformada (calvinista), que o batismo sela a(s) promessa(s) de Deus, isto não significa meramente que ele atesta a veracidade da promessa, mas, sim, que garante aos batizandos que eles são os designados herdeiros das bênçãos prometidas. Isto não significa necessariamente que eles já estão, em princípio, de posse do bem prometido, embora isto seja possível e até provável, mas certamente significa que eles são designados herdeiros e receberão a herança, a não ser que se mostrem indignos dela e a recusem. Dabney chama a atenção para o fato de que muitas vezes selos são apensos as alianças promissórias, nas quais a concessão do benefício prometido é condicional.Mas o batismo é mais que sinal e selo; também é, como tal, um meio de graça. De acordo com a teologia reformada (calvinista), ele não é, como os católicos romanos pretendem, o meio pelo qual se inicia a obra da graça no coração, mas, sim, é um meio para o seu fortalecimento, ou, como muitas vezes é expresso, para o crescimento da graça. Isto dá surgimento a uma questão muito difícil, em conexão com o batismo de crianças. Pode-se ver prontamente como batismo pode fortalecer a obra da fé no batizando adulto, mas não é assim tão perceptível como pode operar como meio de graça no caso de crianças, as quais não têm absolutamente nenhuma consciência da significação do batismo e ainda não podem exercer fé. A dificuldade que defrontamos aqui naturalmente não existe para o pequeno número de eruditos reformados que negam que o batismo apenas fortaleça uma condição de graça antecedente, e alegam que ele “é um meio para a comunicação da graça de maneira específica, e para o específico fim da nossa regeneração e da nossa implantação em Cristo” [12]. Decerto que todos os demais têm que enfrentar o problema. Lutero também lutou com esse problema. Para ele a eficácia do batismo depende da fé do batizando; mas quando refletiu no fato de que as crianças não podem exercer fé, sentiu-se inclinado a acreditar que Deus, por Sua graça preveniente, produz nelas uma fé incipiente por meio do batismo; e, finalmente, ele remeteu o problema aos doutores da igreja. Os teólogos reformados resolvem o problema chamando a atenção para três coisas, que podem ser consideradas como alternativas, mas também podem ser combinadas entre si. (1) É possível partir da pressuposição (não do conhecimento certo) de que as crianças apresentadas para o batismo são regeneradas e, portanto, estão de posse da semen fidei (semente da fé); e afirmar que Deus, pelo batismo, de algum modo místico que não compreendemos, fortalece na criança esta semente da fé. (2) Também se pode chamar a atenção para o fato de que a operação do batismo como meio de graça não se limita necessariamente ao momento da sua ministração, nem um pouco mais que a operação da Ceia do Senhor se limita à hora da sua celebração. Pode, naquele exato momento, servir de algum modo misterioso para aumentar a graça de Deus no coração, se presente, mas também pode ser instrumento para aumentar a fé posteriormente, quando a significação do batismo for claramente compreendida. Isso é ensinado com clareza tanto na Confissão Belga como na Confissão de Westminster. (3) Pode-se assinalar, ainda, como foi feito por alguns teólogos (por exemplo, Dabney e Vos), que o batismo de crianças também é um meio de graça para os pais que apresentam seu filho para o batismo. Serve para fortalecer-lhes a fé nas promessas de Deus, para produzir neles a certeza de que a criança pela qual se responsabilizaram tem direito de propriedade quanto à aliança da graça, e para fortalecer neles o senso de sua responsabilidade pela educação cristã do seu filho ou filha.
e. Extensão do batismo a filhos de descrentes. Naturalmente, só os filhos pequenos dos crentes são os objetos próprios do batismo de crianças. Todavia, o círculo tem-se ampliado de várias maneiras. (1) Os católicos romanos e os ritualistas da Igreja Anglicana partem da suposição de que o batismo é absolutamente essencial para a salvação, visto comunicar uma graça que, segundo eles, não pode ser obtida doutro modo. Daí, consideram seu dever batizar todas as crianças ao seu alcance, sem inquirir coisa alguma quanto à condição espiritual dos seus pais. (2) Alguns chamam a atenção para o fato de que a promessa se aplica aos pais, aos filhos e aos filhos dos filhos, até à milésima geração, Sl 105.7-10; Is 59.21; At 2.39. Em vista destas promessas, eles sustentam que as crianças cujos pais deixaram a igreja, não perderam por isso os seus privilégios como filhos da aliança. (3) Existem aqueles que exteriorizam a aliança, comensurando-a com o estado numa igreja-estado. Uma criança inglesa tem, nessa qualidade, igual direito ao batismo e à proteção do estado, independentemente da questão se os pais são crentes ou não. (4) Alguns assumiram a posição segundo a qual o fato de os pais serem batizados assegura aos seus filhos o direito ao batismo. Eles consideram a relação pessoal dos pais com a aliança como deveras insubstancial. Ocasionalmente as igrejas agiam em função desse princípio, e finalmente abrigaram uma classe de membros que não assumiam pessoalmente a responsabilidade da aliança, e, todavia, buscavam o selo da aliança para os seus filhos. Na Nova Inglaterra isto se tornou conhecido como aliança do meio caminho. (5) Finalmente, tem-se aplicado o princípio da adoção, com o fim de se obter batismo para crianças que doutro modo não teriam direito de recebê-lo. Se os pais não eram aptos ou não estavam dispostos a garantir a educação cristã dos seus filhos, outros podiam apresentar-se para garanti-la. Buscava-se a principal base para isto em Gl 17.12.

Louis Bekhof Teologia Sistemática, Cultura Cristã.

O que é Filosofia Cristã? - John Robbins

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Descrição: Uma breve introdução ao sistema de verdade encontrado na Escritura e como ele se aplica à salvação, ciência, lógica, ética e política.


Dentro dos seus 66 livros, a Bíblia contém um sistema completo de pensamento. Paulo nos diz que “Todos os tesouros da sabedoria e conhecimento estão em Cristo Jesus”. “Toda a Escritura é dada por inspiração de Deus e é proveitosa para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja completo e perfeitamente equipado para toda boa obra”. A Bíblia nos diz como podemos conhecer a verdade, com o que a realidade se parece, como devemos pensar e agir, e até mesmo o que os governos devem fazer. Os filósofos geralmente chamam esses estudos de (1) epistemologia: a teoria do conhecimento; (2) metafísica: a teoria da realidade; (3) ética: a teoria da conduta; e (4) política: a teoria do governo. A primeira dessas, a epistemologia, é a mais importante, pois ela é a mais básica.



Conhecimento: A Bíblia Me Diz Assim


O Cristianismo sustenta que o conhecimento é revelado por Deus. O Cristianismo é a verdade proposicional revelada por Deus, proposições que têm sido escritas nos 66 livros da Bíblia. A revelação divina é o ponto de partida do Cristianismo, o seu axioma. O axioma, o primeiro princípio, do Cristianismo é este: “A Bíblia somente é a Palavra de Deus”.

Um axioma, por definição, é um começo. Nada vem antes dele; ele é um primeiro princípio. Todos os homens e todas as filosofias têm axiomas; todos eles devem começar seus pensamentos em algum lugar. É impossível provar tudo. Demandar prova para tudo é uma demanda irracional. O Cristianismo começa com os 66 livros da Bíblia, pois o conhecimento — verdade — é um dom de Deus.

A verdade é um dom que Deus por sua graça revela aos homens; ela não é algo que os homens descobrem por seu próprio poder. Assim como os homens não alcançam a salvação por si mesmos, por seu próprio poder, mas são salvos pela graça divina, assim os homens não obtém conhecimento por seu próprio poder, mas recebem conhecimento como um dom de Deus. O homem não pode fazer nada aparte da vontade de Deus, e o homem não pode conhecer nada aparte da revelação de Deus.

Isso não significa que podemos conhecer somente as declarações que estão na Bíblia. Nós podemos conhecer suas implicações lógicas também. A Confissão de Fé de Westminster, escrita no século dezesseis e uma das declarações mais antigas da fé cristã, diz:


A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja,mas depende completamente de Deus (a mesma verdade) que é o seu autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a palavra de Deus.

Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela.1 À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens.


Note as palavras da Confissão: “Todo o conselho de Deus” é expressamente declarado na Escritura ou pode ser deduzido dela. Todas as coisas necessárias para a fé e a vida devem ser encontradas nas proposições da Bíblia, tanto explícita como implicitamente. Nada deve ser adicionado à revelação em tempo algum. Somente a dedução lógica das proposições da Escritura é permitida.



Lógica


Os princípios de lógica — raciocínio por boa e necessária conseqüência — estão contidos na própria Bíblia. Toda palavra da Bíblia, de Bereshith (“No princípio”) em Gênesis 1:1 a Amém em Apocalipse 22:21, exemplifica a lei fundamental da lógica, a lei da contradição. “No princípio” significa no princípio, não milhares de anos ou até mesmo um segundo após o princípio. “Amém” expressa concordância, não dissentimento. Quando Deus deu seu nome a Moisés, “Eu sou o que Eu sou”, ele estava declarando a lei lógica da identidade. As leis da lógica estão inseridas em cada palavra da Escritura. O raciocínio dedutivo é a principal ferramenta do entendimento da Bíblia.

A Bíblia é a nossa única fonte de verdade. Nem a ciência, nem a história, nem a arqueologia, nem a filosofia podem nos fornecer a verdade. Um cristão deve tomar seriamente a advertência de Paulo aos colossenses: “Cuidado que ninguém vos engane através de filosofias vãs e enganosas, conforme a tradição dos homens, conforme os princípios básicos do mundo e não segundo Cristo. Pois nele habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade, e estais completos nele...”.



Salvação: Crê no Senhor Jesus Cristo


A doutrina da salvação é um ramo da doutrina do conhecimento. A doutrina da salvação não é um ramo da metafísica, pois os homens não são transformados em deuses quando eles são salvos; homens salvos, mesmo na perfeição do Céu, permanecem criaturas temporais e limitadas. Somente Deus é eterno; somente Deus é onisciente; somente Deus é onipresente.

A doutrina da salvação não é um ramo da ética, pois os homens não são salvos por fazerem boas obras. Nós somos salvos a despeito de nossas obras, não por causa delas.
A doutrina da salvação não é um ramo da política, pois a noção de que a salvação, quer temporal ou eterna, pode ser alcançada por meios políticos é uma ilusão. Tentativas de trazer o Céu para a Terra têm trazido nada senão sangue e morte.

A salvação é através da fé somente. Fé é crença na verdade revelada por Deus. Fé, o ato de crer, é ele mesmo um dom de Deus. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”.

Pedro diz que temos recebido tudo que precisamos para a vida e a piedade através do conhecimento. Tiago diz que somos regenerados pela palavra da verdade. Paulo diz que somos justificados através da fé na verdade. Cristo diz que somos santificados pela verdade.

Assim como somos regenerados pela verdade, e justificados através da fé na verdade, somos santificados pela verdade também.



Ciência: Nele Vivemos


Aqueles que colocam sua confiança na ciência como a chave para entender o universo são embaraçados pelo fato de que a ciência nunca descobre a verdade. Se a Bíblia é a fonte de toda verdade, a ciência não pode descobrir a verdade.

Um dos problemas insolúveis do método científico é a falácia da indução; a indução, de fato, é um problema para todas as formas de empirismo (aprendizado por experiência). O problema é simplesmente este: indução, argumentar a partir do particular para o geral, sempre é uma falácia lógica. Não importa quantos corvos, por exemplo, você observa serem pretos, a conclusão de que todos os corvos são pretos nunca é garantida. A razão é totalmente simples: mesmo assumindo que você tem uma boa visão, e não seja daltônico, e esteja realmente olhando para corvos, você não tem visto e nem pode ver todos os corvos. Milhões deles já morreram. Milhões estão do lado oposto do planeta. Milhões nascerão após você morrer. A indução sempre é uma falácia.

Há outra falácia fatal na ciência também: a falácia de afirmar o conseqüente. O filósofo ateu Bertrand Russell coloca a questão dessa forma:


Todos argumentos indutivos, em última análise, se reduzem à seguinte forma: se isso é verdade, aquilo é verdade: agora que aquilo é verdade, portanto isso é verdade. Esse argumento é, certamente, falacioso. Suponha que eu dissesse: “Se pão é uma pedra e pedras são nutritivas, então esse pão me alimentará; agora, esse pão me alimenta; portanto, ele é uma pedra e pedras são nutritivas”. Se eu apresentasse tal argumento, certamente seria chamado de tolo; todavia, ele não seria fundamentalmente diferente do argumento sobre o qual todas as leis científicas são baseadas.

Reconhecendo que a indução é sempre falaciosa, filósofos da ciência no século vinte, no esforço de defender a ciência, desenvolveram a noção de que a ciência não se apóia na indução de forma alguma. Pelo contrário, ela consiste de conjecturas, experimentos para testar aquelas conjecturas, e refutações de conjecturas. Mas em suas tentativas de salvar a ciência da desgraça lógica, os filósofos da ciência têm abandonado qualquer reivindicação de conhecimento: a ciência é apenas conjecturas e refutações de conjecturas. Karl Popper, um dos maiores filósofos da ciência do século vinte, escreveu:


Primeiro, embora na ciência façamos o nosso melhor para encontrar a verdade, estamos conscientes do fato de que nunca estarmos certos se a alcançamos… Nós sabemos que nossas teorias científicas sempre permanecem como hipóteses… Na ciência não há nenhum “conhecimento” no sentido no qual Platão e Aristóteles entendiam a palavra, no sentido que implica finalização; na ciência, nunca temos razão suficiente para a crença de que alcançamos a verdade... Einstein declarou que sua teoria era falsa: ele disse que ela seria uma melhor aproximação da verdade do que a de Newton, mas ele deu razões pelas quais ele não deveria, mesmo que todas as predições se revelassem corretas, considerá-la uma teoria verdadeira.... Nossas tentativas de ver e encontrar a verdade não são finais, mas abertas para aprimoramento:... nosso conhecimento, nossa doutrina é conjetural;... ela consiste de palpites, de hipóteses, antes do que de verdades finais e certas.


A observação e a ciência não podem nos fornecer a verdade sobre o universo, e muito menos a verdade sobre Deus. A cosmovisão secular, que começa negando Deus e a revelação divina, não pode nos fornecer conhecimento de forma alguma.



Ética: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.


A Bíblia ensina que a distinção entre certo e errado depende inteiramente dos mandamentos de Deus. Não há nenhuma lei natural que faça ações serem corretas ou erradas, e questões de certo e errado certamente não podem ser decidas pelo voto da maioria. Nas palavras do Catecismo Menor de Westminster: “pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou qualquer transgressão desta lei”. Se não houvesse lei de Deus, não poderia haver certo ou errado.

Isso pode ser visto mui claramente no mandamento de Deus para Adão não comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Somente o mandamento de Deus fez o comer o fruto ser pecado. Ele pode ser visto também no mandamento de Deus para Abraão sacrificar Isaque. Somente o mandamento de Deus fez o sacrifício ser correto, e Abraão obedeceu prontamente. Estranho como isso possa parecer para os ouvidos modernos, acostumados a ouvir tanto sobre o direto à vida, o direito à saúde, e o direito de escolha, a Bíblia diz que os certos e errados naturais não existem: somente os mandamentos de Deus fazem algumas coisas serem certas e outras coisas serem erradas. No Antigo Testamento era pecado para os judeus comerem carne de porco. Hoje, podemos desfrutar de bacon com ovos no café da manhã. O que faz o assassinato de um ser humano e o comer carne de porco ser certo ou errado, não é alguma qualidade inerente nos homens e nos porcos, mas meramente o próprio mandamento divino.

Direitos Humanos


Se tivéssemos direitos porque somos homens — se nossos direitos fossem naturais e inalienáveis — então o próprio Deus teria que respeitá-los. Mas Deus é soberano. Ele é livre para fazer o que quiser com as suas criaturas, como lhe parecer bem. Assim, não temos direitos naturais. Isso é bom, pois direitos naturais e inalienáveis são logicamente incompatíveis com punição de qualquer tipo. Multas, por exemplo, viola o direito inalienável de propriedade. Aprisionamento viola o direito inalienável de liberdade. Execução viola o direito inalienável da vida. A teoria do direito natural é logicamente incoerente em sua fundação. Direitos naturais são logicamente incompatíveis com a justiça. A idéia bíblica não é de direitos naturais, mas de direitos imputados. Somente direitos imputados, não direitos intrínsecos — direitos naturais e inalienáveis — são compatíveis com a liberdade e a justiça. E esses direitos são imputados por Deus.


Todas tentativas de basear a ética em algum fundamento, que não a Bíblia, fracassam. A lei natural é um fracasso, pois “deveres” não podem ser derivados de “direitos”. Numa linguagem mais formal, a conclusão de um argumento não pode conter termos que não sejam encontramos em suas premissas. Advogados da lei natural, que começam seus argumentos com declarações sobre o homem e o universo, declarações no modo indicativo, não podem terminar seus argumentos com declarações no modo imperativo.


A principal teoria ética que compete com a teoria da lei natural, hoje, é o utilitarismo. O utilitarismo nos diz que a ação moral é uma que resulta no maior bem para o maior número de pessoas. Ele fornece um método elaborado de calcular os efeitos das escolhas. Desafortunadamente, o utilitarismo também é um fracasso, pois ele na somente comete a falácia naturalista dos advogados da lei natural, mas ele requer também um cálculo que não pode ser executado. Não podemos saber qual é o maior bem para o maior número de pessoas.


A única base lógica para a ética são os mandamentos revelados de Deus. Eles nos fornecem não somente a distinção básica entre certo e errado, mas também instruções detalhadas e exemplos práticos de certo e errado. Eles realmente nos assistem em nosso viver diário. Tentativas seculares providenciam um sistema ético que fracassa de ambos os lados.



Política: Proclamar Liberdade por toda a Terra


A filosofia política cristã está fundamentada diretamente na revelação divina, não na lei natural, na democracia ou no exercício da mera força.

Tentativas de basear uma teoria de governo sobre axiomas seculares resultam em anarquia ou totalitarismo. Somente o Cristianismo, que fundamenta o legítimo poder do governo na delegação de poder por Deus, evita os males gêmeos da anarquia e do totalitarismo.

O governo tem um papel legítimo na sociedade: a punição dos malfeitores, como Paulo coloca em Romanos 13. Essa é a única função do governo que Paulo menciona. Educação, bem-estar, moradia, parques, estradas, aposentadoria, assistência médica, ou quaisquer outros programas nos quais o governo está envolvido hoje são ilegítimos. O fato de que o governo está envolvido em todas essas atividades é uma razão primária pela qual o governo não está fazendo o seu trabalho corretamente: a taxa de criminalidade está aumentando, e o sistema de justiça criminal é uma ameaça crescente para as pessoas livres. O inocente é punido e o culpado permanece sem punição.

A Bíblia ensina um papel distintivamente limitado para o governo. O objetivo bíblico não é uma burocracia composta por cristãos, mas nenhuma burocracia. Não deveria haver nenhum Departamento Cristão de Educação, nenhum Departamento Cristão de Moradia, nenhum Departamento Cristão de Agricultura — simples porque não deveria haver nenhum Departamento de Educação, de Moradia, de Agricultura, ponto final. Nós não precisamos e devemos nos opor a um Departamento Cristão de Álcool, Tabaco e Armas de Fogo ou a um Serviço Cristão da Receita Federal. Alguns assim chamados cristãos estão engajados numa busca de poder político que torna as suas atividades quase indistinguíveis das atividades dos promotores do ‘evangelho social’ no começo e na metade do século vinte. Esse tipo de ação social não tem nada a ver com a Escritura.



O Sistema Filosófico


Cada uma das partes desse sistema filosófico — epistemologia (conhecimento), soteriologia (salvação), metafísica (realidade), ética (conduta) e política (governo) — é importante, e as idéias ganham força quando arranjadas num sistema lógico. Em tal sistema, onde proposições são logicamente dependentes de outras proposições e logicamente implicam nelas, cada parte reforça mutuamente as outras. Juntas elas constroem uma fortaleza inexpugnável que pode resistir e derrotar seja o que for que as outras filosofias e religiões possam dizer. Historicamente — embora não nesse século decadente — os cristãos têm sido criticados por serem “muito lógicos”. A crítica é tola. Se devemos ser transformados pela renovação de nossas mentes, se devemos trazer todos os nossos pensamentos em conformidade com Cristo, então devemos aprender a pensar como Cristo, lógica e sistematicamente.


O Cristianismo é um sistema filosófico completo que procede de dedução rigorosa de um único axioma para milhares de teoremas. Ele é uma visão total das coisas consideradas juntas. Ele enfrenta todas as filosofias não-cristãs em todo campo de batalha intelectual. Ele oferece uma teoria de conhecimento, um caminho para o Céu, uma refutação da ciência, uma teoria do mundo, um sistema de ética coerente e prático, e os princípios requeridos para a liberdade e a justiça política. É nossa esperança e oração que o Cristianismo conquiste o mundo no próximo século. Se não o fizer, se a igreja continuar a declinar em confusão e incredulidade, pelo menos uns poucos cristãos podem se refugiar na fortaleza intelectual inexpugnável que Deus nos deu em sua Palavra.





Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto felipe@monergismo.com
Via:Monergismo